Diário do webspaço

Saturday, October 16, 2010

Ex-aluna afirma que Monica Serra contou que fez um aborto

16.10.10 às 13h11 > Atualizado em 16.10.10 às 22h17

Ex-aluna afirma que Monica Serra contou que fez um aborto
Coreógrafa publicou na Internet que mulher de candidato falava da experiência traumática na sala de aula

Santa Catarina e Rio - Mulher de José Serra — candidato à Presidência pelo PSDB —, Sylvia Monica Allende Serra causou polêmica ao falar que a adversária do marido, Dilma Rousseff (PT), iria “matar criancinhas”, pois seria favorável à descriminalização do aborto. Na segunda-feira, o nome de Monica Serra voltou ao olho do furacão. A coreógrafa Sheila Canevacci Ribeiro, 38 anos — aluna de Monica nos tempos em que ela dava aulas para o curso de Dança na Unicamp, em Campinas (SP) —, divulgou relato na Internet afirmando que a esposa de Serra, que é chilena, confidenciou a alunas ter feito um aborto quando o marido estava exilado. Ontem à noite, a assessoria de Serra divulgou nota dizendo que Monica nunca fez aborto.
Foto: Divulgação
Monica Serra está no centro de uma nova polêmica | Foto: Divulgação

Intitulado “Respeitemos a dor de Monica Serra”, o relato foi publicado na página de Sheila no site de relacionamentos Facebook segunda-feira. Ela descreveu com detalhes o momento em que Monica Serra fez a confidência.

“Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o aborto, sobre o seu aborto traumático. Mônica Serra fez um aborto. Na época da ditadura, grávida de quatro meses, Mônica Serra decidiu abortar, pois que seu marido estava exilado e todos vivíamos uma situação instável”, relatou no Facebook.

A decisão de publicar o relato, ela diz, foi tomada após assistir ao debate de domingo passado entre Serra e Dilma, na Band. Sheila não se conformou ao ver o silêncio de Serra quando questionado sobre a afirmação da esposa de que Dilma iria “matar criancinhas”.

“Ele não falou ‘sim, ela falou e eu concordo; ou então ‘sim, ela falou e eu não concordo’; ou ‘não, ela não falou’. Ele não falou nada, e eu fiquei com aquela inquietação. A falta de resposta do Serra é que me fez ter uma reflexão” afirmou Sheila. Sem filiação a partidos, ela afirmou ter votado em Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) no primeiro turno. No segundo, a coreógrafa defende o voto em Dilma.

Na sexta, em Santa Catarina, onde vive hoje, Sheila afirmou a O DIA que o testemunho a deixou bastante abalada. “Essa experiência me chocou. Lembro que a gente olhava para a cara dela e eu pensava ‘coitada, coitada dessa mulher’. E me lembro que, quando ela contava essas coisas, falava ‘agora, os tempos são outros’”, recordou.

Uma ex-colega de Sheila, que não permitiu a divulgação de sua identidade, também falou com O DIA e confirmou o episódio. Ela afirma que a confissão de Monica foi feita durante aula de Psicologia do Movimento, no primeiro semestre de 1992: “O assunto surgiu quando ela falava sobre como as transformações pelas quais o corpo passa influenciam em seu movimento”. Outra aluna, Ana Paula Camolese, que hoje mora na Inglaterra, não ouviu o relato de Monica, mas acredita na história: “O ambiente da faculdade era propício para dividir esse tipo de experência. Sheila não inventaria isso, sempre foi muito séria”.

Para PSDB: ‘Jogo sujo’

O DIA procurou a assessoria de José Serra desde quinta-feira, para que se pronunciasse sobre o testemunho de Sheila, mas não obteve resposta. A assessoria de imprensa da campanha de Serra afirmou que somente Monica poderia se pronunciar. Procurada, a assessoria de Monica disse que “não iria comentar o assunto”.

Ontem, uma nota foi divulgada. “Diante de matéria publicada hoje, a campanha de José Serra esclarece: Monica Serra nunca fez um aborto. Essa acusação falsa, que já circulava antes na Internet, repete o padrão Miriam Cordeiro de que o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva foi vítima na eleição de 1989. E dá continuidade ao jogo sujo que tem caracterizado a presente campanha desde que um núcleo do PT, montado para fazer dossiês contra o candidato tucano à Presidência, foi descoberto em Brasília. Primeiro atacaram a filha de José Serra. Depois atacaram o seu genro. Agora eles agridem a sua mulher, Monica, que tem a irrestrita solidariedade, amor e respeito de seu marido, de seus filhos, netos e de milhões de brasileiros”. A nota lembra a disputa entre Lula e Collor em 1989. Na ocasião, Collor exibiu depoimento de ex-namorada de Lula, Miriam Cordeiro, mãe de uma filha do petista, em que ela dizia que, ao saber da gravidez, Lula a aconselhou a abortar, causando polêmica e indignação".

Reportagem de Christina Nascimento e João Noé

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