Distrito 9

Imagine a seguinte cena. Uma nave pousa no céu de Johanesburgo, e permanece parada por 4 meses até que é invadida e os extra terrestres famintos e doentes são capturados. Este é o mote inicial do filme DISTRITO 9, que é na verdade uma fábula sobre a intolerância com roupagem de ficção científica.
Após a abordagem, os aliens são confinados num bairro de Soweto, chamado de DISTRITO 9, que logo faz emergir a diferenças entre humanos e aliens, tornando a convivência violenta e problemática. Para resolver problemas de saúde, segurança e ordem urbana, o governo da Africa do Sul contrata uma multinacional (MNU) que recruta um exército mercenário para remover os aliens do D9 para outro distrito. Um funcionário imbecil e despreparado Wikus Van De Merwe, é escolhido para ser o líder da operação, pois é casado com Tania Van De Merwe, filha do CEO da MNU, Les Feldman - MIL Engineer, e é um sujeito desprezível e manipulável.
Se o filme pretendia ser ficçao científica, ele acaba se tornando uma espécie de conto de fadas socio-cultural, onde aliens fazem o papel que caberia como uma luva em negros, palestinos, imigrantes e outras populaçoes marginalizadas.
A primeira parte do filme - a tentativa de remoção dos aliens do D9 (que na verdade é uma favela similar a qualquer comunidade carente do RJ ou de SP) por parte dos mercenários da MNU, poderia ter sido feita com as PM's do RJ ou de SP sem que o público percebesse diferença alguma. A cena onde a maternidade de bebes de proveta dos Aliens é incendiada lembra o revivido discurso de que favelas sao fábricas de marginais, e de que é preciso controlar a natalidade dos pobres.
O filme tem seu ponto de partida quando Wikus Van De Merwe se contamina acidentalmente com um líquido que lhe deixa em processo de simbiose, se transformando lentamente em alien, o que dá aos executivos da MNU a grande chance de poder finalmente acionar as poderosas armas extra-terrestres que dependem de um fluido orgânico e só funciona com os Et's, e. com a contaminaçao de Wikus, passa a funcionar nele também, tornando seu corpo uma cobaia bilionária .
As tomadas no laboratórios da MNU lembram as cenas de tortura de Abu Grabi e de Guantánamo, e novamente poderíamos trocar os aliens por Iraquianos e nao teríamos notado a diferença. Desesperado, Wikus Van De Merwe, foge e tem de ser auxiliado pelo Alien Christopher Johnson e seu filho, em troca de ajudá-los a consertar o módulo da nave mae. Para isso eles tem de executar a missao suicida: entrar no prédio da MNU, recuperar o fluido esquecido por Wikus Van De Merwe, no laboratório e fugir para a nave mae, onde Wikus Van De Merwe, poderá reverter seu estado.
A missao tem sucesso, mas a MNU parte para o D9 e tenta impedir Wikus Van De Merwe e o Alien Johnson de finalmente fugir com seu a chave para as armas ET's. Para piorar as chances de Wikus e Johnson, a gangue local quer cortar o braço de Johson e usá-lo num ritual de magia negra afim de "sugar" seus "poderes".
O final é desalentador de tao realista, MNU, guangues e ET's num enfrentamento mortal. Desnecessário dizer que os finais nao sao felizes: Johnson conserta a nave e retorna a seu planeta e Wikus se transforma definitivamente em alien. A MNU encobre suas atrocidades e processa quem a denuncia. O Distrito 9 é evacuado e os aliens vao para outro distrito, similar a um campo de concentração.
Um mínimo resqúicio de humanidade é exibido pelo alien Johnson e seu filho, e o filme deixa questões importantes: porque temos tantas dificuldades de lidar com culturas diferentes das nossas? Filme imperdível.

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